Notícias

Piscicultura gera Emprego e Renda para as Famílias Rurais no município de Araci

Piscicultura gera Emprego e Renda para as Famílias Rurais no município de Araci

17 de Setembro de 2013 - 08:41:15h

Na comunidade de Poço Grande, localizada a 18 km do município de Araci, desde a década de 60 a cultura da pesca é a maior fonte de renda para as famílias. O açude de poço grande foi inaugurado no ano de 1964 pelo Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS), com o intuito de amenizar as dificuldades vividas pelas famílias da comunidade nos períodos de estiagem. Atualmente a piscicultura tornou-se a principal atividade e a maior fonte de renda para os moradores.

Com o apoio e incentivo da ASCOOB, os pescadores se organizaram e no ano de 1993 fundaram a Associação de Pescadores de Poço Grande, garantindo mais qualidade e aumento da produção de peixes. “Inicialmente se pescava o peixe e vendia nas feiras livres, mas o peixe nativo do açude, cada pescador desenvolvia sua tarefa independente, sem saber qual seria sua renda fixa”, explica Francisco de Assis Lima, fundador da Associação e coordenador do projeto Pescando Renda na comunidade, que é apoiado pelos Governos Estadual e Federal. “Atualmente o pescador tem sua renda fixa que varia entre R$ 600 a R$ 1.200 ao mês por família após o escoamento da produção onde 40% é rateio e 60% é investimento em manutenção”, completa Francisco.

Francisco conta que a Associação recebeu um grande auxilio da Bahia Pesca com a instalação de 60 tanques de rede e capacitação. Os tanques de rede são a única linha de produção de pescado. Uma atividade prática onde a rotatividade de trabalho permite que cada pescador trabalhe 04 dias no mês.

Uma Parceria de Sucesso – “A ASCOOB Cooperar tem sido a sustentação deste trabalho. Firmamos com a ASCOOB uma grande parceria tanto economicamente quanto amigavelmente”. É assim que Francisco se refere ao falar da Cooperativa de Crédito Rural ASCOOB Cooperar, que além de oferecer assistência técnica aos pescadores, tem garantido o crédito de acordo a necessidade de cada pescador.

Atualmente todos os pescadores tem a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP), e a cooperativa tem liberado o crédito para os pescadores investirem na produção. Depois do apoio da cooperativa , 90% acessa dos pescadores acessam as linhas de créditos do PRONAF e e do PRONAF. “Todo ano quando tinha a entressafra nós buscávamos peixe em Paulo Afonso, Paraguaçu e em outras cidades, com o apoio da ASCOOB na liberação de crédito para investimento nós suprimos essa necessidade e já estamos dando conta de abastecer a região só com a produção daqui”, destaca Francisco.

Outro apoio importante da cooperativa foi na orientação para o reconhecimento da associação no Ministério da Pesca. Essa era uma das principais dificuldades da associação, considerando que quando a pesca fechava para a época da piracema os pescadores não podiam pescar e ficavam sem receber nenhum beneficio e desde 2002 todos são cadastrados no Ministério. Dos 500 sócios da associação, 200 famílias são beneficiadas diretamente da pesca e durante a piracema (defeso) recebem três meses de seguro desemprego, no valor de um salário mínimo.  

Outra família beneficiada é a de José Expedito da Silva, que mantém a família somente da atividade pesqueira. “Eu não pretendo deixar esta atividade não, para mim é muito importante e é daqui que minha família sobrevive”. Destaca o pescador.  Francisco destaca que com o apoio da ASCOOB os pescadores têm facilidade na negociação, diferente de outros bancos tradicionais.

 

Entre idas e vindas

A trajetória de um jovem empreendedor que superou os desafios para garantir a sustentabilidade e teve sua vida renovada depois da se tornar cooperado e acessar os produtos e serviços da cooperativa.

“Eu e meus 12 irmãos nascemos na comunidade de poço grande, na época não tinha escola perto e minha mãe me levava 06 km a pé onde passava um ônibus e levava um vazo com água para lavar meus pés e meu chinelo antes de eu entrar no ônibus para ir estudar. Tive uma vida difícil”. É com um largo sorriso e uma pintada de bom humor que o jovem Edson Sant’Ana Mota, 30 anos, proprietário da pizzaria Los Motta, no município de Araci-BA, começa a contar sua historia.  O jovem conta que logo após dois anos foi morar no distrito de Tapuio com o irmão e depois em Pedra Alta, onde passou 05 anos e concluiu o 1° grau.

Para cursar o 2º grau, Edson logo precisou ir morar na sede do município de Araci, onde se manteve ainda mais distante da família. “só morei com minha mãe até os 07 anos de idade”. Conta o rapaz.

Aos 18 anos, por não encontrar perspectivas de trabalho na região, Edson migrou-se São Paulo onde morou por dez anos em busca de melhores condições de vida. Alimentado pelo sonho de cursar o nível superior, o jovem ainda tentou um cursinho pré-vestibular gratuito com os professores da Universidade de São Paulo (USP), mas não teve condição de levar o sonho adiante. “Eu acredito que nós que saímos de nossa cidade para os grandes centros como São Paulo dificilmente teremos qualidade de vida e no meu caso que não tive como fazer um curso superior é ainda mais difícil, pois o mercado não tem muito a oferecer, você trabalha e o que ganha só da para o básico”. Relata Edson

Foi trabalhando como faxineiro e recepcionista de segunda a sábado que Edson descobriu que não seria essa a vida que escolheu. Com o desejo de retornar a sua cidade natal, a solução que o jovem encontrou para garantir sustentabilidade foi montar um comércio. Continuou trabalhando e fazendo bicos aos domingos para juntar mais algumas economias. “Conversei com meu sobrinho, ele comprou um ponto para mim aqui em Araci, eu fui pagando aos poucos e consegui montar uma padaria, mas logo em seguida eu senti a necessidade de aumentar a renda e resolvi ampliar abrindo uma Pizzaria”, conta sorrindo.

O inicio de uma parceria- Em 2005, ano em que abriu o empreendimento, Edson também conheceu a ASCOOB e se tornou um cooperado. O alto investimento e pouco capital foi exatamente o desafio de Edson na hora de abrir o negócio. “Nesse momento que a ASCOOB nos ajudou com o crédito, o grande diferencial da cooperativa é a relação de parceria que eles criam conosco quando nos recepcionam, eu morava em São Paulo as pessoas não mim conheciam eu cheguei a procurar outros meios de financiamento em outros bancos mais a burocracia foi muita, com a cooperativa foi mais tranquilo além de alternativas e orientações sobre qual o melhor crédito eu deveria acessar, o processo de liberação foi mais rápido do que eu pensava”, destaca o comerciante.

Ao longo do sete anos como cooperado, Edson destaca como um dos melhores investimentos feitos na sua Pizzaria, o crédito para aquisição do forno a lenha que segundo ele era uma demanda dos clientes. Depois de avaliar as viabilidades o comerciante contou com o apoio da ASCOOB para cumprir esta demanda. Além do forno a lenha ser uma preferência dos clientes tem resultado no aumento da produção, e agilidade no serviço.

Além de acessar as linhas de crédito, Edson também participa de ações eventuais promovidas pelo sistema. Em 2012, participou do curso de Formação Cooperativista (FORMACOOP), onde pode visualizar as temáticas sobre o meio rural autossustentável no âmbito microempreendedorismo, onde pode aprimorar ainda mais o aspecto comercial. 

 

Camila Oliveira

Pablo Freire de Mello